terça-feira, 25 de setembro de 2007

Ideias pela Ordem

Excerto do post Ideias pela Ordem em http://a-cidade-das-pessoas.blogspot.com/


6. Remuneração dos Estagiários


Sou a favor da obrigatoriedade de estágio profissional. Acho que é possível melhorar os moldes em que esse sistema hoje funciona – a bem da eficácia do estágio – mas considero que a primeira mudança a operar neste domínio tem de ser a remuneração dos estagiários. Por duas razões.

Primeiro, porque o estágio não deve ser um “serviço militar obrigatório”, que castiga com um ano de serviço gratuito os novos recrutas. É perverso obrigar (porque ele é de facto obrigatório, não esqueçamos!) as pessoas a um ano de trabalho gratuito.

Segundo, porque inundar um mercado com trabalho de mão-de-obra gratuita é desregulá-lo. E essa desregulação prejudica todos: estagiários, arquitectos sem vínculo (nomeadamente os que estão em início de carreira, que ficam com poucas ou nenhumas hipóteses de continuar) e todos os restantes, também, que passam a trabalhar num mercado ainda mais desregulado ao nível dos honorários.

A Ordem não pode, ao mesmo tempo, gerar mão-de-obra gratuita e querer qualificar a Arquitectura. Esta é uma contradição fundamental – e não é o mercado que a pode resolver. Haverá soluções exequíveis e razoáveis? Haverá, certamente – mas só as conseguiremos encontrar depois de assumir que isto é um problema que temos de resolver.


Pedro Homem de Gouveia, Arq

7 comentários:

nuno gouveia disse...

TUDO AQUILO QUE SEMPRE QUIS PERGUNTAR (aos candidatos) À ORDEM DOS ARQUITECTOS...

http://arqui-ordem.blogspot.com/

SE GOSTAREM, DIVULGUEM!!

nuno gouveia, membro 8286

Karlova disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Karlova disse...

Não há muito mais a dizer e tudo a fazer. Espero que a nova direcção da Ordem dos Arquitectos se preocupe um pouco mais com a questão fundamental que é a da regulação dos estágios - programas e remuneração adequada - porque só dessa forma se pode erradicar a escravatura salarial porque passa a grande maioria dos jovens arquitectos.

Carla Duarte, Arq.

zé do telhado disse...

Caro Pedro,

Fiquei sem perceber que posição defende.
Os seus dois primeiros paragrafos, são uma contradição. Afinal defende a obrigatoriedade do estagio mas não deve ser um “serviço militar obrigatório”?
Em que ficamos?

A obrigatoriedade de estágio é acima de tudo uma medida de desresponsabilização do sistema de ensino que no geral é uma anedota, com professores que atendem telemoveis nas aulas, chegam atrasados, nao tem plano de ensino e faltam por da ca aquela palha.

Ou seja como o ensino não presta, e não existe uma cultura de trabalho para estudantes, criou-se uma barreira á entrada na profissão que tem duas consequências base. A primeira elimina a concorrência á maioria mediocre dos que já são arquitectos, criada pela maré de novos e jovens arquitectos da ultima decada, A segunda é o criar de uma vasta mão de obra ESCRAVA, que os senhores da OA e amigos exploram sem limites.
Chamando as coisas pelos nomes é isso que se passa. Por isso não me admira nada que os novos candidatos á direcção da ordem sobre esse tema nada falem. È tudo a mesma gente na realidade.
Sei de ateliers "superstar" em Lisboa que se dao ao luxo de ter a sala dos estagiarios, em que metade do atelier basicamente nao recebe dinheiro mas faz trabalho como se recebesse. Isto alem de ser eticamente reprovavel, deveria ser ilegal não fosse de Portugal que estivessemos a falar, e ouvesse uma Ordem que servisse verdadeiramente os interesses da classe em geral e não os interesses de uns poucos iluminados que monopolizam o mercado e as possibilidades de acesso ao mesmo.

Achar que é com estagios que se resolvem problemas de base do ensino é ridiculo.
Achar que é a OA que tem que os resolver pior ainda.
A ordem relativamente á profissao de nada trata. Devia ser um orgão regulador. Em vez disso anda a gastar o nosso dinheiro- sim somos nos que lhes pagamos os ordenados- a combater moinhos de vento.
Já se devem ter esquecido, mas á uns dois anitos a OA perdeu um processo em tribunal e foi obrigada a pagar indeminizações a alguns alunos com a historia das acreditações. Quem pagou essas indeminizações (milhares e milhares de Euros, diga-se) fomos nós. Resumidamente o tribunal europeu resolveu de ilegal a historieta das acreditações. Realmente se os cursos sao bons ou se funcionam correctamente é o MEdu que tem que saber e autorizar. Não a ordem.

O tema dos estágios é mais uma vez a OA a meter-se onde não é chamada.

Porque raio tenho eu que fazer um estagio depois de ter estudado durante 6 anos, dois dos quais estive a trabalhar num escritorio?
Já não chega de trabalho mal pago e de tempo de recruta?
O que vou eu aprender que não tenha aprendido já ou que não vá aprender no decurso da minha vida profissional?
Mas alguem depois de um estagio de 9 meses adquiriu assim tanta experiência que isso seja a distância entre ser arquitecto ou não? Que grande treta. Ainda se os estágios fossem programas pensados...mas na realidade não é mais do que ser pau para toda a obra, um mero office boy ou operador de CAD gratuito com 6 anos de investimento pessoal em cima...
Belo negócio. Arranjar alguem que faz de graça trabalho que é pago ao escritório como se fosse um trabalhador permanente. Bela mina.


O que se aprende a trabalhar, aprende-se e pronto. Pode se chamar o que se quiser mas trabalhar é trabalhar. Estágio é o nome moderno que se inventou para trabalho de escravo. Porque realmente com a forma como a maioria dos escritorios são geridos em Portugal, sem nós, os escravos, estava tudo era falido e a fechar as portas, e a dar lugar aos jovens arquitectos que estão ai á espera de uma oportunidade.
Não há soluções "exequíveis e razoáveis" para uma realidade que não faz sentido e que não é éticamente aceitavel.
Trabalho feito trabalho pago.
O resto é conversa.
OU agora vão estipular quanto é que se paga? ...lol E quem vale recebe o menos de quem não vale nada?

Andre Ferreira de Castro, Arq

zé do telhado disse...

Caro Pedro,

Fiquei sem perceber que posição defende.
Os seus dois primeiros paragrafos, são uma contradição. Afinal defende a obrigatoriedade do estagio mas não deve ser um “serviço militar obrigatório”?
Em que ficamos?

A obrigatoriedade de estágio é acima de tudo uma medida de desresponsabilização do sistema de ensino que no geral é uma anedota, com professores que atendem telemoveis nas aulas, chegam atrasados, nao tem plano de ensino e faltam por da ca aquela palha.

Ou seja como o ensino não presta, e não existe uma cultura de trabalho para estudantes, criou-se uma barreira á entrada na profissão que tem duas consequências base. A primeira elimina a concorrência á maioria mediocre dos que já são arquitectos, criada pela maré de novos e jovens arquitectos da ultima decada, A segunda é o criar de uma vasta mão de obra ESCRAVA, que os senhores da OA e amigos exploram sem limites.
Chamando as coisas pelos nomes é isso que se passa. Por isso não me admira nada que os novos candidatos á direcção da ordem sobre esse tema nada falem. È tudo a mesma gente na realidade.
Sei de ateliers "superstar" em Lisboa que se dao ao luxo de ter a sala dos estagiarios, em que metade do atelier basicamente nao recebe dinheiro mas faz trabalho como se recebesse. Isto alem de ser eticamente reprovavel, deveria ser ilegal não fosse de Portugal que estivessemos a falar, e ouvesse uma Ordem que servisse verdadeiramente os interesses da classe em geral e não os interesses de uns poucos iluminados que monopolizam o mercado e as possibilidades de acesso ao mesmo.

Achar que é com estagios que se resolvem problemas de base do ensino é ridiculo.
Achar que é a OA que tem que os resolver pior ainda.
A ordem relativamente á profissao de nada trata. Devia ser um orgão regulador. Em vez disso anda a gastar o nosso dinheiro- sim somos nos que lhes pagamos os ordenados- a combater moinhos de vento.
Já se devem ter esquecido, mas á uns dois anitos a OA perdeu um processo em tribunal e foi obrigada a pagar indeminizações a alguns alunos com a historia das acreditações. Quem pagou essas indeminizações (milhares e milhares de Euros, diga-se) fomos nós. Resumidamente o tribunal europeu resolveu de ilegal a historieta das acreditações. Realmente se os cursos sao bons ou se funcionam correctamente é o MEdu que tem que saber e autorizar. Não a ordem.

O tema dos estágios é mais uma vez a OA a meter-se onde não é chamada.

Porque raio tenho eu que fazer um estagio depois de ter estudado durante 6 anos, dois dos quais estive a trabalhar num escritorio?
Já não chega de trabalho mal pago e de tempo de recruta?
O que vou eu aprender que não tenha aprendido já ou que não vá aprender no decurso da minha vida profissional?
Mas alguem depois de um estagio de 9 meses adquiriu assim tanta experiência que isso seja a distância entre ser arquitecto ou não? Que grande treta. Ainda se os estágios fossem programas pensados...mas na realidade não é mais do que ser pau para toda a obra, um mero office boy ou operador de CAD gratuito com 6 anos de investimento pessoal em cima...
Belo negócio. Arranjar alguem que faz de graça trabalho que é pago ao escritório como se fosse um trabalhador permanente. Bela mina.


O que se aprende a trabalhar, aprende-se e pronto. Pode se chamar o que se quiser mas trabalhar é trabalhar. Estágio é o nome moderno que se inventou para trabalho de escravo. Porque realmente com a forma como a maioria dos escritorios são geridos em Portugal, sem nós, os escravos, estava tudo era falido e a fechar as portas, e a dar lugar aos jovens arquitectos que estão ai á espera de uma oportunidade.
Não há soluções "exequíveis e razoáveis" para uma realidade que não faz sentido e que não é éticamente aceitavel.
Trabalho feito trabalho pago.
O resto é conversa.
OU agora vão estipular quanto é que se paga? ...lol E quem vale recebe o menos de quem não vale nada?

Andre Ferreira de Castro, Arq

Sinner82 disse...

Pois, olha colegas e pessoal, acho tudo isto muito bonito mas não se esqueçam dos estagiários que ensinam e não aprendem nada do dominio da arquitectura no mundo real no sitio onde frequentam o estágio.
Estou farto de tentar ensinar como se faz arquitectura no sitio onde realizo o meu estágio. Não é que seja maestro ou chico esperto, de verdade, penso como o Siza que afirma que após 40 anos de arquitectura sente que subiu um degrau de uma escaderia infinita. Mas de verdade, existem ateliers que metem dó. Menos negócio e mais arquitectura!
Marco, Arqº

Servi disse...

Penso que o autor quis dizer que defende a obrigatoriedade dos estágios profissionais por parte das empresas. O estágio profissional é enquadrado num programa do IEFP e é sempre remunerado. As empresas que pretendem oferecer estágio deveriam todas fazer parte deste programa que, para além da remuneração, vincula os estagiários a um contrato que protege os seus direitos e estimula a sua formação.

Existe também este blog na mesma linha de "defesa"

http://apaes.wordpress.com

Quem quiser participe! E divulgue!